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Em mensagem de Natal rei Charles III pede coragem e reconciliação

por poliannelima
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O rei Charles III do Reino Unido usou seu discurso de Natal para refletir sobre a vida como uma jornada compartilhada e pediu que as pessoas abracem valores como coragem, reconciliação e união em um mundo dividido e incerto.

O monarca disse que “peregrinação é uma palavra menos usada hoje em dia, mas tem um significado especial para o nosso mundo moderno”.

Ele continuou: “Trata-se de viajar para o futuro e, ao mesmo tempo, voltar ao passado para relembrar e aprender com suas lições”.

Em seu tradicional discurso, que coincidiu com o 80º aniversário do fim do conflito, no início deste ano, Charles refletiu sobre a “coragem e o sacrifício” da Segunda Guerra Mundial e elogiou “a forma como as comunidades se uniram”.

“Esses são os valores que moldaram nosso país e a Commonwealth”, continuou o rei. “Ao ouvirmos falar de divisões, tanto em casa quanto no exterior, são esses valores que jamais devemos perder de vista.”

Enquanto o falava sobre “histórias do triunfo da coragem sobre a adversidade” que lhe davam esperança, imagens da viagem surpresa da princesa Anne à Ucrânia, em setembro, foram exibidas na tela.

Ela realizou a visita oficial a pedido do Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido para destacar “as experiências traumáticas de crianças que vivem na linha de frente do conflito”, afirmou o Palácio de Buckingham na época.

Charles também elogiou a “bravura espontânea” daqueles que instintivamente se colocaram “em perigo para defender os outros”, após o ataque à sinagoga de Manchester e o ataque terrorista na Austrália.

Enquanto ele discursava, foram exibidos vídeos de Charles encontrando-se com sobreviventes e socorristas em Manchester, antes da transmissão mostrar pessoas depositando flores em um memorial em homenagem às vítimas e sobreviventes da praia de Bondi.

A tradição da mensagem de Natal do monarca remonta a 1932 e foi feita pela primeira vez por George V. Desde então, tornou-se um marco do feriado para muitos britânicos que se reúnem para assistir e ouvi-la às 15h do dia de Natal.

Escrita pelo próprio Charles, é uma das poucas ocasiões em que ele não busca orientação do governo ao redigir o discurso e geralmente se baseia fortemente em ensinamentos religiosos, ao mesmo tempo que reflete sobre questões e preocupações atuais.

O quarto discurso de Natal do rei ocorre após um ano de turbulência social e política no Reino Unido — com a unidade nacional aparentemente fragmentada em um cenário político cada vez mais polarizado, em meio a crescentes desafios financeiros com a crise do custo de vida e com as pautas defendidas pela ultradireita ganhando cada vez mais força entre a população.

Charles refletiu sobre a história do Natal, com Maria e José viajando para Belém e a jornada dos Reis Magos para adorar o berço de Jesus, e como, em cada ocasião, eles “contaram com a companhia e a bondade de outros” e canalizaram “uma força interior” para lidar com obstáculos físicos e mentais.

“Em tempos de incerteza, essas formas de viver são valorizadas por todas as grandes religiões e nos proporcionam profundas fontes de esperança, resiliência diante da adversidade, paz através do perdão, simplesmente conhecendo nossos vizinhos e demonstrando respeito uns pelos outros, criando novas amizades.”

Ele prosseguiu: “Com a grande diversidade de nossas comunidades, podemos encontrar a força para garantir que o bem triunfe sobre o mal. Parece-me que precisamos valorizar a compaixão e a reconciliação.”

O monarca de 77 anos gravou a mensagem de Natal no início deste mês na Abadia de Westminster, um local com longa história como importante igreja de peregrinação, com visitantes que acorrem para visitar o santuário de Eduardo, o Confessor, ali localizado.

Ele gravou o discurso dentro da Capela de Nossa Senhora, onde estão sepultados 15 reis e rainhas — incluindo Elizabeth I e Maria Stuart, Rainha da Escócia.

Vestindo um terno risca de giz com gravata e lenço de bolso azuis, Charles parecia estar de bom humor ao relembrar sua visita de Estado ao Vaticano com a rainha Camilla, onde “rezamos com o papa Leão XIV em um momento histórico de unidade espiritual”.

O rei disse mais tarde em seu discurso: “Ao encontrar pessoas de diferentes religiões, acho extremamente encorajador ouvir o quanto temos em comum, um anseio compartilhado pela paz e um profundo respeito por toda a vida”.

A transmissão de Natal de Charles terminou com uma interpretação de “Carol of the Bells” pelo grupo Songs for Ukraine e pelo Coro da Ópera Real.

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