Os militares venezuelanos reconheceram Delcy Rodríguez como a nova presidente da Venezuela, mas são eles que deterão o poder real e decidirão os rumos do país. Esta é a análise feita pelo analista sênior de Internacional Américo Martins, no Agora CNN, que destacou a importância central das forças armadas no contexto político venezuelano.
“Os militares são fundamentais neste processo porque têm de fato o poder político e também o poder econômico na Venezuela”, explicou Martins. Segundo ele, após um golpe que derrubou brevemente Hugo Chávez no passado, houve uma grande reforma nas forças armadas venezuelanas, que passaram a deter significativo controle sobre a economia, com muitos generais responsáveis pelas principais empresas estatais, incluindo a PDVSA (estatal do petróleo).
Delcy Rodríguez, descrita como uma “chavista de primeira hora” e com forte formação ideológica crítica aos Estados Unidos, enfrenta agora o desafio de decidir qual papel desempenhará na transição. Seu irmão, Jorge Rodríguez, também possui considerável influência, controlando a Assembleia Nacional do país. No entanto, a grande questão é se ela aceitará negociar com os Estados Unidos.
Possibilidades de negociação e pressão americana
O perfil de Delcy Rodriguez não é de uma negociadora, mas de uma “ferrenha defensora do chavismo” e crítica dos Estados Unidos. Contudo, ela pode chegar à conclusão de que a própria sobrevivência política dela e do regime depende de algum tipo de negociação.
Donald Trump teria feito uma ameaça à nova líder venezuelana, sugerindo que ela poderia ser a próxima vítima de um ataque semelhante ao que aconteceu com Maduro caso não mantivesse a linha desejada pelos Estados Unidos. Anteriormente, Trump mencionou que Rodriguez havia conversado com Marco Rubio, secretário de Estado americano, sobre a transição e o futuro da Venezuela.
“A Delcy é importante no processo, mas os militares que agora apoiam a ela formalmente é que vão decidir, de fato, os próximos rumos na Venezuela”, concluiu Martins. Os militares, junto com figuras importantes do regime como Delcy Rodríguez e Jorge Rodríguez, podem chegar à conclusão de que o melhor caminho é a negociação com os Estados Unidos, permitindo, por exemplo, a volta de mais empresas americanas para explorar o petróleo venezuelano e a realização de eleições futuras.
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